sábado, 4 de julho de 2009

Deus fora da casca da religião


Li a poucos dias o livro "A cabana" do autor William P. Young, que virou sucesso literário internacional. O que me chamou a atenção foi a sinopse que dizia de um homem que tem sua filha assassinada, e volta ao local do crime anos depois, convidado por Deus para ter uma experiência inesquecível.
Só por esse chamada, independente do livro ser ou não um sucesso, já aguçou minha curiosa, e assim que tive a oportunidade, o comprei e devorei. Numa noite eu li o livro todo, e realmente é instigante.
A maneira como o autor retrata Deus, e a maneira como ele tenta se relacionar com o personagem principal da história, mostra uma quebra de paradigmas religiosos.
A mensagem principal do livro é, devemos nos livrar de conceito pré-concebidos que as religiõs nos impõe, e pensar o quanto Deus está acima de tudo isso, e quer que tenhamos um relacionamento mais progundo com Ele.
Pra você que é cristão, pra vc que não é cristão, ou até mesmo tem suas dúvidas quanto a existência de Deus, vale a pena a leitura, e tirar suas próprias conclusões.
O fato é: Ele está muito mais perto de nós, quanto imaginamos.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Síndrome de Spielberg - Considerações sobre o flme "Presságio"

Realmente a greve dos roteiristas de Hollywood causou efeitos bem negativos nesses ultimos anos. A indústria cinematográfica vem despejando de caçamba uma tonelada de remakes, adaptações de livros, histórias em quadrinhos e jogos de videogame, além de filmes que aparentemente parecem originais, mas que lhe dão a sensação de que já viu aquilo antes e melhor.
Tá certo que já tem umas 2 ou 3 décadas que Hollywood vem se tornando um deserto de idéias, mas nesses ultimos 3 anos a coisa vem piorando, e parece que agora é só ladeira abaixo. O fato de um filme estrangeiro conseguir ganhar o Oscar de melhor filme, numa premiação em que até então só se auto-premiavam, já mostra os sinais do tempo.
Mas chega de blá-blá-blá e vamos ao filme em questão. Minha noiva ficou me falando de querer assistir Presságio, até porque ela é fã de Nicolas Cage. Por pior que seja o filme que ele faça, ela fica vidrada no cara, mas eu nem ligo, pois a concorrência que ele faz comigo é a distância.
Enfim, fui ver esse filme ontem(26/04), já desencanado de que me surpreenderia com alguma coisa no filma, e realmente foi o que aconteceu: de onde menos se espera é que não sai nada mesmo.
Não que o filme seja péssimo, mas os seus 122 minutos cansam um pouco, pois você ao assisti-lo, tem a impressão que já viu algo parecido.
Eu não vou discorrer aqui a sinopse aqui porque provavelmente tem um monte de sites explicando o filme, aqui vai um deles, mas trata-se de uma mistura de Arquivo X, Guerra dos Mundos, e Os Esquecidos. Antes de assistir, achei que o filme podia ser como uma continuação de O Vidente, estrelado pelo mesmo Nicolas Cage, mas nesse ponto me decepcionou.
Você vê apenas o personagem de Cage correndo pra lá e pra cá tentando salvar o mundo de desastres que foram previstos por uma criança, onde o mesmo, que até então era ateu e evolucionista, começa a perceber que "o negócio não é tão bagunçado assim", ou não.
Agora, o final do filme(não se preocupe que eu não vou contar), é digno de Spielberg. O diretor Alex Proyas realmente fez a lição de casa com o pai do E.T., e conseguiu entrar para o seleto grupo de diretores que criam seus 5 minutos de bobeira para concluir a história de um filme.
O cara até consegue criar um clima de suspense do tipo "arquivo x" em quase todo o filme, pra no final, nos brindar com algo meio que "mundo de Oz" nos momentos finais. Decepcionante, mas totalmente clichê, como todo filme que quer terminar com final feliz, mas que tem a ver com o cinema holywoodiano, "nada se cria, tudo se repete".
Por isso, quem quiser assistir o filme, fique avontade, compre um pacotão de pipoca, e se divirta com a guloseima, mas não espere sair da sessão como se o mundo tivesse se aberto pra você. Mas também não precisa sair do cinema indignado, assim como a minha noiva. Hehehe.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O messias americano

















Há tempos escrevi em meu antigo blog (http://okcomputer.zip.net/arch2007-02-18_2007-02-24.html) sobre o excelentíssimo senhor presidente Barak Hussein Obama, na época ainda pré candidato, disputando a vaga com Hillary Clinton pelo partido Democrata.
Na época ele começava a chamar atenção, principalmente na blogosfera, tentando expor suas propostas, e a imagem de um negro tentando chegar ao poder.
Hoje a noite essa figura carismática e que traz consigo toda a responsabilidade de resolver os problemas dos EUA, como a crise economica, a guerra no iraque, a relação com Cuba, etc, assume o cargo mais poderoso do mundo, sendo visto pelos americanos, e pelo resto do mundo, em sua maioria, como o messias que trará a salvação para os povos.
Vale lembrar que alguém já fez isso há mais de dois mil anos atrás, mas enfim, o que acontece é que estão colocando muito "hype"(ainda usam essa gíria?) em cima do Obama. Não é pelo fato de ser o primeiro presidente negro, de origens africanas bem próximas, que vai garantir sua eficácia como presidente.
Bush deixou uma "bomba" nas mãos de Obama, e não estou falando só da guerra, mas de todo um caos que se formou nos EUA, e bateu aqui em nossa "terrinha". Segundo a revista Época desta semana, a equipe que ele está formando é a mesma que apoiou o presidente Clinton, ou seja, apesar do discurso de renovação, o time de Obama já conhecido, e pelo jeito, não farão nada de revolucionário, seja para os EUA, seja para o mundo.
Ou seja, é um discurso novo como embalagem de uma prática velha, e nós brasileiros sabemos muito bem disso, quando foi eleito pela primeira vez em nosso país, um metalúrgico nordestino, que dos carros de som dos sindicatos, pulou para o Planalto, e o que fez com toda sua ideologia?
Acho que não preciso responder... 

domingo, 30 de março de 2008

A imagem de paz de Dalai na Lama



Nossa! Fazia muito tempo que eu não postava em meu blog, mas hoje o tesão em blogar voltou e eu resolvi aproveitar o embalo.

Sempre que a mídia fala de paz mundial, é praticamente um clichê usar a imagem da Madre Tereza de Calcutá, João Paulo II, Nelson Mandela, Ghandhi e também mas não menos importante, Dalai Lama.

Mas nas últimas semanas parece que a fachada de pacificador desse cidadão tibetano foi colada em questão por conta dos conflitos entre tibetanos e chineses, em relação ao protesto pela independência do Tibete que não aceita as determinações do governo chinês.

Lógico que a história é antiga, e que o governo da China usa de mão de ferro por trás de sua "democracia socialista", pelo fato de ter uma economia aberta, e se mostrar um império econômico que até incomoda os Estados Unidos.

A questão é que o Tibete sempre foi visto pelo restante do mundo como um lugar místico, onde a espiritualidade poderia chegar ao seu clímax, por toda cultura que o território conserva. A imagem dos monges que se resguardam em seus monastérios, e todo aquele ritualismo que fascina os ocidentais pode ser derrubado pela postura do atual lama.

Tenzin Gyatzo, verdadeiro nome de Dalai Lama, é considerado pelos tibetanos como a reencarnação de Buda, por isso sua imagem e força dentro do Tibete continuará forte. Mas do lado de cá, vemos que Dalai não passa de mais um político que se esconde atrás das cortinas da religiosidade, assim como o papa ou qualquer líder religioso de alto destaque na mídia mundial.

Provocar os conflitos e até mesmo ameaçar de estragar a festa olímpica, põe em cheque todo o discurso de paz que o próprio Dalai espalhava através de suas viagens pelo mundo, difundindo o budismo.

Isso tudo é só mais uma prova de que fé e política quando andam juntas se tornam armas perigosas de manipulação do poder sobre as massas, gerando mais guerras e mais derramamento de sangue inocente.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Tão certo quanto Buenos Aires ser a capital do Brasil.


Há tempos que vinha ensaiando para escrever sobre um assunto que me incomoda um pouco. Somos ou não somos um povo americano?
A expressão “americanos” desde que me entendo por gente, sempre foi usada para se referir ao povo natural dos Estados Unidos da América. Mas de alguns anos para cá um grupo de pseudo-intelectuais insistem em usar “estadunidenses”, justificando que americanos somos todos nós.
A justificativa é simples, mas ignora todo o contexto cultural e geográfico que está por trás da nomenclatura inicial.
Puxando na memória lembro-me das entediantes aulas de geografia e história, quando se referiam “as Américas”, nos ensinando sua divisão em América do Norte, América Central e América do Sul. Antes disso, toda briga política de dominação do continente entre portugueses e espanhóis e posteriormente os ingleses por cada pedaço do novo mundo, em busca de riquezas naturais.
Voltando aos tempos atuais, nosso continente hoje se divide em canadenses, americanos(ou estadunidenses, como preferir) e latino americanos, que representa toda a “rapa” que vive no quintal do tio Bush, abaixo da fronteira com o México.
E ainda tem o detalhe dos brasileiros estarem de fora da alcunha de “latinos”, pois como diz Caetano Veloso em uma música sua “nós não somos latino americanos”. E isso é uma verdade, pois culturalmente os latinos são todos aqueles de língua hispânica, e como nós somos os únicos herdeiros da cultura lusitana das bandas de cá do oceano, ficamos meio que sitiados.
O que a união européia conseguiu mesmo depois de décadas de discussões, nós americanos, latinos, ou qualquer outra coisa do gênero, estamos longe de conseguir. A famosa viagem que Che Guevara fez com sua motocicleta, em conhecer a América do Sul, hoje não conseguimos fazer nem de avião, por conta de palhaçada toda na aviação “brasileña”.
Isso tudo sem contar a reportagem mostrada no Jornal da Noite de Rede Bandeirante, no último dia 6 de novembro, em que mostrava toda tecnologia e contingente policial para vigiar a fronteira dos E.U.A., enquanto que no extremo oposto com o Canadá, à passagem de pessoas de um país ao outro não há dificuldade alguma.
Se nos anos oitenta Renato Russo bradava “que país é esse?”, hoje no mundo globalizado devemos questionar “que continente é esse?”, onde não há(ou muito pouca) união econômica, interação cultural e intelectual, ou mesmo acesso para se conhecer melhor a terra em que vivemos.
Por isso não me importo se deve falar estadunidense ao invés de americano, pra mim isso não faz diferença. Não nos comportamos como uma “união americana” mesmo. Aqui é cada um por si, e dinheiro para poucos.